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03 fevereiro 2009

Café de Palhaças

E como é a vida cheia de encontros inusitados e surpreendentes que nos conduzem para os rumos que estamos buscando, não é?!

Há tempos uma amiga/irmã de alma me dizia que queria me apresentar para sua amiga que também é palhaça e tem feito trabalhos interessantes nesse caminho. Hoje finalmente conseguimos marcar um café no meio da tarde em um cantinho da Vila Madalena. Foi ótimo!

Encontrei ali uma pessoa que, a partir de sua vasta experiência e know-how no setor privado, especificamente, no campo da propaganda, está investindo na combinação da arte do palhaço com o trabalho com grupos, criação e inovação de processos.

Um encontro sem pretenções que acabou por despontar possibilidades de trabalho e experimento conjunto muito inspiradores e empolgantes. Da nossa conversa animada já surgiu a idéia de começarmos essa dupla em alto estilo na Grécia durante o Axladitsa-Immersion (http://www.axladitsa.org/calendar.htm) em maio deste ano.

Saí do nosso café mais do que animada e também agradecida a minha querida amiga/irmã de alma pelo match making!

Deixo aqui o endereço do site da Marina/Consuelo para quem se interessar em conhece-la melhor: www.consuelophd.com.br

Deixo também meus profundos desejos de que em breve possa compartilhar mais informações sobre essa pesquisa em dupla parceria. Oxalá - com as bençãos de Iemanjá!!!

22 janeiro 2009

Criando com nossa potência

Afinal o que é que acontece quando estamos trabalhando em nossa máxima potencia?

O que nos motiva a doar o melhor de nós dentro de um coletivo?

O que nos motiva a acreditar e confiar que o resultado final será tudo de melhor que podiamos fazer?

Criar junto e construir a partir do fluxo das idéias e talentos de cada um.
Será uma técnica que se aprende, ou uma sabedoria latente esperando ser despertada?

Quando num grupo deixamos aflorar as paixões de cada um, a faísca logo vira chama e a chama torna-se fogueira de São João, que ilumina até bem alto no céu.
Uma chama puxando a outra, numa dança de labaredas vermelhas, laranja, azul e roxo que se misturam e se destinguem. Ora uma, ora outra, cada qual no seu tempo com seu ardor, trazem vida ao fogo que está lá.

Por vezes achamos que das cinzas chegamos ao fim...do fogo...da energia...um luto... um insucesso...
Mas tem fogo de cinza - me disse o índio guarany - fogo que pega diferente, enquanto todas as chamas já foram dormir, uma acorda e ganha vida para chamar as outras.

Na dança da criação coletiva, cada qual com seu calor, faz potente a capacidade de transformar, o que é conflito em presente, o que é meu em nosso, o que é impossível em possível.

E qual é mesmo a força da minha potencia?
É isso! E muito mais...
A minha coragem é o limite.

Nada mais precisa estar, só parceiros, amor e entrega.

13 janeiro 2009

Com despretensão

A cada dia me surpreendo mais com o poder da despretensão! Um estado simples, singelo e um tanto dificil para se permanecer. Uma forma de sentir, agir e de se colocar no mundo bastante distinta daquela a que estamos acostumados - ou melhor doutrinados. Na despretensão tudo é possível! Aquilo que se espera ser não existe. O que existe é o que é ou está em processo de vir a ser. Aquilo que se quer que seja fica perdido em meio ao que está sendo no presente, no ato do agora.

Neste estado de alma e de corpo, reina uma constante prontidão para responder aos estímulos que nos são dados a todo momento. Impera um estado de alerta que vê possibilidades em tudo, a partir de uma perspectiva simples e verdadeira.

Tenho experimentado o poder deste estado de despretensão em diferentes momentos nos últimos dias. A começar por uma viagem de final de ano de todo despretenciosa e contudo maravilhosa, que aconteceu com um convite espontâneo e com intenção de coração. E vem se reforçando também em encontros de trabalho a medida em que tomo mais consciência de que o importante é se preparar com pouco e chegar com muito espaço vazio para deixar ser preenchido na troca com os outros.

Noutro dia por exemplo tive uma reunião com um grupo já conhecido na qual se queria pensar o propósito de um encontro com toda a equipe da organização. Eu estava introduzindo ao grupo uma amiga/parceira que convidei para realizar o trabalho comigo. Tinhamos nos encontrado algumas horas antes para um almoço longo que serviu para nos atualizarmos das novidades uma da outra e também para eu fazer um briefing sobre o cliente, o trabalho e assim pensarmos no desenho da reunião. Feito isso, de maneira muito leve e resumida aos pontos essenciais, desenhamos um fluxo de encontro em que deixariamos o bastão da fala rodar pelas pessoas presentes para que expussesem a importância que elas viam no encontro a ser planejado, ao mesmo tempo em que faziamos uma colheita num flip chart ao centro da mesa. E assim foi o desenrolar da nossa reunião, feita uma breve contextualização, o bastão começou a circular ao redor da mesa e as pessoas foram trazendo suas opiniões sobre o encontro em questão, enquanto minha parceira ia tomando nota dos pontos principais... Até que ao final da primeira rodada tinhamos padrões identificados na fala de cada um que logo construiram uma estrutura geral para o encontro que estavamos planejando. Isso tudo, assim, sem grandes discussões, debates ou enorme tempo de reunião, simplesmente com a despretensão e forte intenção de que fosse ali criado um espaço para juntos chegarmos a uma clareza sobre o encontro em pauta. Despretencioso também foi o convite para minha amga/parceira entrar comigo neste trabalho. Já haviamos trabalhado (indiretamente) juntas em outros projetos e desde que começamos a nos conhecer melhor sentia com ela aquela ressonância necessária para chamar alguem de parceiro/a. Era algo assim meio intuitivo, baseado na amizade que temos desenvolvido que me fazia ter quase certeza de que trabalhar juntas seria quase um casamento. E foi! Sem fazer força nenhuma estávamos as duas lá, uma completando a outra no agir e no pensar, e naquilo que está se provando ser tão importante, na despretensão e a presença.

Para praticar esse tipo de despretensão a que me refiro estou descobrindo também é gigante necessidade do desapego. Isso mesmo, d-e-s-a-p-e-g-o! Desapego das minhas próprias idéias pré-concebidas, da cobrança por ter sempre as respostas certas e prontas antes do tempo, da falsa noção de que muito e mais é melhor. Enfim, desapego daquilo que se quer que seja ou de quem se acha que é, para simplesmente deixar tudo ser como é! E isso tem sido um exercício e tanto, que com a prática se torna menos doloroso e muito mais prazeiroso e divertido. Requer treino, uma boa dose de entrega e outro tanto de confiança. Eu diria que aqui se é importante ter confiança no caos e na aparente desordem e insucesso, bem como no tempo que é natural a cada uma das coisas, processos e pessoas. Afinal dá tudo sempre certo no final!